Ive Camanducci explica como a NR-1 amplia o olhar das empresas sobre saúde mental e riscos psicossociais no trabalho.

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Afina Menina — Portal de Notícias Atualização da NR-1 inclui saúde mental na gestão de riscos ocupacionais Data da publicação original: 07/05/2026

Atualização da NR-1 inclui saúde mental na gestão de riscos ocupacionais

Cansaço constante, dificuldade de concentração, irritabilidade e sensação de esgotamento mesmo após períodos de descanso tornaram-se comuns no ambiente de trabalho. Esses sinais, antes vistos como questões individuais, agora são reconhecidos como relacionados ao ambiente em que o trabalhador está inserido. A atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) inclui a saúde mental na gestão de riscos ocupacionais, reconhecendo que condições de trabalho podem funcionar como agentes de adoecimento.

Essa mudança amplia a compreensão de que nenhum organismo sustenta indefinidamente contextos desequilibrados, sem eliminar a responsabilidade pessoal sobre limites e autocuidado. O adoecimento no trabalho está ligado à forma como o trabalho é vivido, não apenas ao excesso de tarefas. Ambientes com pressão constante, baixa previsibilidade, ausência de reconhecimento, conflitos interpessoais e exigências que ultrapassam limites individuais favorecem o estresse crônico, que pode comprometer desempenho e saúde global.

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O adoecimento no trabalho está ligado à forma como o trabalho é vivido, não apenas ao excesso de tarefas.

O burnout é um processo gradual que começa com sinais discretos, como cansaço frequente, dificuldade para relaxar e sensação de alerta constante. Com o tempo, surgem cansaço ao acordar, perda de interesse pelo trabalho, irritabilidade e dificuldade de concentração. Diferente do cansaço, a exaustão persiste mesmo após descanso, indicando desgaste emocional.

Muitas pessoas continuam funcionando com alto desempenho enquanto já estão em estado avançado de desgaste, o que pode levar a queda de produtividade, conflitos, afastamentos e sintomas físicos e emocionais intensos. Clinicamente, o burnout envolve exaustão emocional, despersonalização (distanciamento emocional e irritabilidade) e redução da realização profissional (percepção de ineficácia e perda de sentido). Esses elementos se desenvolvem ao longo do tempo, reforçando a importância de reconhecer sinais precoces.

A NR-1 passa a considerar a saúde mental na prevenção de riscos ocupacionais, reconhecendo que sobrecarga contínua, falhas na comunicação, ambientes hostis ou instáveis e ausência de limites claros impactam diretamente a saúde dos trabalhadores. A mudança é normativa e conceitual, enfrentando a normalização do sofrimento com expressões que minimizam o problema.

O que era pontual pode se tornar estrutural, afetando indivíduos e resultados organizacionais, com aumento de afastamentos, queda de desempenho e desgaste nas relações profissionais. A inclusão da saúde mental na NR-1 reflete uma mudança necessária diante dessa realidade.

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Trabalhar não deveria implicar em adoecer.

Reconhecer os limites entre exigência e desgaste é fundamental para interromper processos silenciosos de adoecimento.

SOBRE A AUTORA

Ive Camanducci

Psicóloga com atuação em Terapia Cognitivo-Comportamental e Sistêmica.

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